Cronologia das Secas: Seca - 1914 / 1915

Seca - 1914 / 1915

Campo de concentração de sertanejos.

Apesar do romance de Rachel de Queiroz ter sido escrito apenas em 1930, a história do “O Quinze” retrata, com verossimilhança assombrosa, a seca de 1915.

Seca intensa em toda região semi-árida nordestina. Com efeito, a seca de 1915 foi uma das mais terríveis que já se espalhou pela região nordestina.

Foi a inclemência da devastação de tudo acima e abaixo da terra, do desespero do homem e da dizimação dos rebanhos, da fome e da sede alastradas em progressão alarmante, das muitas e muitas levas de retirantes abandonando seus lugarejos já quase mortos.

Foi nessa estiagem que, para impedir que os retirantes se dirigissem à capital, o governo cearense resolveu se precaver de uma maneira desumana. O governo criou os primeiros currais humanos, campos de concentração em regiões separadas por arames farpados e vigiadas 24 horas por dia por soldados para confinar as almas nordestinas retirantes castigadas pela seca.

A varíola fez centenas de mortos no Campo do Alagadiço, próximo a Fortaleza, onde se espremiam mais de 8 mil pessoas; a falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro.

A seca de 1915 deixou marcas profundas, segundo a Inspetoria de Obras Contra a Seca – IOCS , entre 1914 e 1915, 2 milhões de pessoas morreram em consequência da miséria e fome da estiagem. Os sertanejos retirantes passaram a chamar os campos de concentração de “currais” o que etimologicamente parece dar conta do que eram esses espaços.

O termo "flagelado", referindo-se aos retirantes, passa a ser predominantemente utilizado pelos estudiosos e veículos de comunicação. Segregar os retirantes das populações urbanas foi a solução encontrada pelo governo e elites para que o citadinos não tivessem que conviver com as pessoas de "fisionomia marcada pelo rito da miséria".

Holocausto da Seca - A história que o Brasil esqueceu.


Existem fragmentos da história brasileira negligenciados pelos livros. Muitos sabem da ira alimentada por Adolfo Hitler contra os judeus numa paranoica tentativa de “limpar” a Alemanha das impurezas daquele povo.

Poucos momentos da História são tão enraizados na memória da humanidade quanto à construção dos campos de concentração nazistas durante a segunda Guerra Mundial (1939-1945). Um cenário de terror no qual milhões de judeus perderam a vida com requintes de crueldade, flagelo e exposição às mais extremas formas de humilhação.

O que não está dito nos livros, porém, é que um pedaço do Brasil tem muito em comum com a Alemanha de Hitler, embora que em menor proporção. Vinte quatro (24) anos antes de explodir no mundo a segunda guerra mundial, aqui, abaixo da linha do Equador, os aglomerados de miseráveis e a epidemia de cólera que convergiam milhares de humanos a espaços demarcados por cerca de arame já era um passado infernal na história do sertão cearense.

Se na Europa de Hitler o objetivo era desafiar a ciência na tentativa de provar a existência de uma raça pura, para o Governo cearense a batalha era evitar que as vítimas da seca manchassem a imagem da capital, Fortaleza.

Na seca QUINZE (1915), para impedir que os retirantes se dirigissem à capital, o governo cearense resolveu se precaver de uma maneira desumana. O governo criou os primeiros currais humanos, campos de concentração em regiões separadas por arames farpados e vigiadas 24 horas por dia por soldados para confinar as almas nordestinas retirantes castigadas pela seca. Novamente na seca de 1932, de forma ampliada, o ser humano mostra sua face mais cruel, espalhando campos de concentração pelo estado do Ceará. Milhares perderam suas vidas, a falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro.

Segregar os retirantes das populações urbanas foi a solução encontrada pelo governo e elites para que o citadinos não tivessem que conviver com as pessoas de "fisionomia marcada pelo rito da miséria".
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HOLOCAUSTO DA SECA

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
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